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Capa de 'Cebolinha Nº 106' (Ed. Abril, 1981) |
Cebolinha avisa que vai apresentar o seu mais sensacional número. Xaveco debocha que é o número quatro e Jeremias que prefere o número oito. O truque era desaparecer o assistente Cascão. Jeremias fala que não vale tentar jogar água no Cascão. Cebolinha conta até 3 com a capa em suspense e quando tira, Cascão ainda estava lá e alega que a alavanca do alçapão emperrou.
A plateia dá sonora vaia, puxado pelo Jeremias, falam que são mágicos fajutos, querem dinheiro de volta e não consegue fazer ninguém desaparecer. Cebolinha diz que não vai devolver dinheiro e Cascão complementa que eles que azucrinaram com o show. Os meninos falam que eles vão devolver nem que seja na marra e ao cercarem Cebolinha e Cascão para partirem para a briga, eles desaparecem e todos ficam sem entender. Mostram 2 pontos indo para a biblioteca do bairro e lá eram Cebolinha e Cascão, que conseguiram desaparecer sem truque nenhum e ficam procurando nos livros uma forma de desfazer a mágica.
História excelente com Cebolinha querendo fazer apresentação de mágica e Cascão como assistente, mas como a plateia foi forçada a ir para não apanhar da Mônica, resolvem estragar as apresentações do Cebolinha e ser considerado mágico fajuto e conseguirem dinheiro de volta. No sufoco para não apanharem, termina Cebolinha fazendo mágica de verdade de desaparecer e ele com Cascão tentam uma forma de voltarem ao normal procurando em livros de mágicos. Na hora do desespero os personagens faziam coisas mais absurdas.
Foi divertido ver a Mônica obrigando os meninos irem ao show à força, se não pagassem, apanhavam. Na época ela era autoritária ao extremo e os outros tinham que fazer o que ela mandava. Veja bem, a Mônica mandou os outros comprarem as entradas, mas ela não queria assistir e foi ao cinema com o dinheiro de uma entrada, até ela sabia que o show não seria bom, mas os outros tinham que ir assistir mágica para ela poder ir ao cinema. Muito interesseira. A revolta dos meninos foi boa também, desvendando vários segredos de mágicos. O mais sacana de todos foi o Jeremias, quem liderou a azucrinação com o Cebolinha.
Era legal quando qualquer personagem podia ser mágico nas histórias ou até ter um mágico adulto profissional. Desde que o Nimbus adotou característica de ser mágico, só ele que passou a ser o mágico oficial nas histórias, perdendo a graça. Tipo, se colocassem o Nimbus no lugar do Cebolinha não teria nem metade da diversão que foi, era muito melhor qualquer personagem ser mágico. As vezes era comum personagens sumirem ao longo da história quando tinham muitos reunidos, como aconteceu com figurantes e com o Bidu, que foram abordados pela Mônica, mas não apareceram depois assistindo show.
Traços muito bons da transição dos personagens pontiagudos dos anos 1970 com o que eles queria deixar consagrado ao longo dos anos 1980. Chama a atenção do Jeremias todo preto, é que quando ele foi criado em 1960 ele era preto porque não tinham recursos pra diferenciar personagens negros dos brancos nos gibis e nas tiras de jornais em preto e branco da época. Nos primeiros números da Mônica de 1970, já com gibis coloridos, ele era preto também, aí o personagem ficou sumido ao longo dos anos 1970 e quando voltou em 1981 foi do mesmo preto de antes. ficando assim até em março de 1982, quando resolveram colocar pele de cor marrom, ficando assim até hoje. Mudaram, provavelmente, porque o pessoal da época reclamou que era esculacho com os negros pintando tão preto assim, e em 1983 ainda sofreu outra mudança tirando círculo rosa em volta na boca e deixando uns lábios comuns, ficando assim até hoje.
Impublicável hoje por mostrar Mônica autoritária obrigando outros a assistirem show que não querem na ameaça de surra, os meninos quererem estragar os truques agindo como vilões e fora que pombos são proibidos nas histórias hoje e ainda mais dando comida a eles porque são tratados como bichos sujos e o Jeremias estar pintado todo preto desse jeito iriam implicar demais. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989) como história de miolo, já que geralmente histórias de abertura curtas originais eram republicadas no miolo em almanaques. Muito bom relembrar esse clássico há exatos 40 anos.
Créditos ;) Marcos Alves: https://arquivosturmadamonica.blogspot.com/2021/10/cebolinha-hq-um-show-de-magicas.html
