
quarta-feira, 5 de julho de 2017
terça-feira, 4 de julho de 2017
Socializando HQ N°70 : HQ - A PATACA FATAL!

Quando vi a chamada dessa história em quadrinhos anunciando a volta do Almanaque Disney para este mês de Junho que passou, após um hiato de 12 anos e dando continuidade a numeração, confesso que minha mente remeteu à obra fantástica "Piada Mortal", do Batman e Coringa - aliás, recomendadíssima para quem procura variar um pouco nos universo dos quadrinhos e se dispor a conhecer um material do Batman.
Ela, de fato, faz alusão a uma história, entretanto, não tem nada a ver com o morcegão sinistro, mas, sim, com uma obra antiga do tão prestigiado Mestre Disney Carl Barks. Um "remake" de "O Trenzinho da Alegria": grande clássico que faz parte da nata de produção das obras com a família pato. Este Almanaque Disney acertou em cheio em retomar sua publicação escolhendo justo essa trama como pontapé inicial. Não poderia ser melhor.
"A Pataca Final" contém a essência do argumento de "O Trenzinho da Alegria", que é o fato dos patos darem-se conta de que o mundo não gira somente ao redor deles, que a desigualdade social existe e assola a todos, ceifando as pessoas de darem prosseguimento aos objetivos e metas de suas vidas.
Sabendo que o quaquilionário Patinhas poderia interferir positivamente na vida de algumas daquelas pessoas, eles se decepcionam com o pato velho chiliquento que se recusa a fazer alguma coisa. Donald faz pressão até o tio finalmente ceder e concordar em colaborar com alguma coisa. Acontece que sua caixa-forte está abarrotada e, ao acrescentar uma única moedinha, toda sua fortuna cai em uma espécie de buraco que se abriu porque o solo não suportou mais o excesso de peso de tanto dinheiro. Aquela simples e inofensiva moedinha foi como a gota d´água que restava para transbordar o balde, se é que me entendem.
Após algumas pesquisas de profissionais, foi possível descobrir o que houve e onde está o dinheiro. O problema é recuperar a grana. Uma tarefa aparentemente impossível e perigosa, correndo o risco de todo aquele império se perder definitivamente.
Tudo isso você vê na obra clássica e neste novo trabalho. O que mudou, no entanto, faz os menos observadores terem a sensação de que se trata de algo completamente novo. Se não houvesse a informação, eles nem fariam a ligação de uma obra à obra, haja vista que as histórias do Patinhas sempre giram em torno de seu dinheiro, sua ambição desmedida e os riscos de perdê-lo. O que mais contribuiu para mascarar essa situação de "remake" foi o fato de tirarem a argumentação de uma trama de Natal e a transformarem em mais uma aventura do cotidiano, sem uma época específica. Para reforçar ainda mais esse distanciamento, o cenário gelado de neve e frio deu lugar ao frescor de paisagens urbanas em meio a várias árvores e plantas, com uma floresta cheia de muito verde e detalhamento de cenários.
O rombo da caixa-forte de Patinhas, no original, foi ocasionado por ele próprio e sua mania de acumular cada bendita moedinha. Ainda assim, ele culpou Donald pelo acontecido e os dois saíram no braço. Afinal, o muquirana estava desesperado, precisava extravasar a intensidade do que sentia e ninguém melhor do que o próprio sobrinho (que antes já tinha lhe aporrinhado as ideias para contribuir à causa dos mais pobres) para ser o seu saco de pancadas ideal. Embora Donald nem estivesse por perto no momento, na cabeça de Patinhas a culpa era dele e pronto!
Na trama atual, o rombo foi ocasionado por Donald. Patinhas estava irredutível em ajudar. Donald, irritadiço e impulsivo, começou a botar pressão no tio e só conseguiu piorar ainda mais a teimosia dele, fazendo com que deixasse bem claro que não daria um centavo sequer para raios de causa nenhuma. Então, Donald, tomado por um impulso de ódio, retira uma moeda de 1 pataca que trazia consigo e a esfrega na cara do tio. A moeda cai dentro do cofre da caixa-forte e a tragédia está consumada.
Esses detalhes parecem inofensivos e você deve estar pensando que reconheceria sim o "remake". Convido-os a adquirirem essa edição do Almanaque Disney para constatarem com seus próprios olhos as mudanças. Eu duvido que vocês assimilem tão facilmente uma obra à outra. Os informativos trazem uma entrevista com os envolvidos nessa produção. Eles dão a entender que esse distanciamento foi providencial. Talvez a intenção, penso eu, foi apenas fazer uma nova produção usando um roteiro antigo. Vai saber quantas e quantas vezes essa equipe fez isso e nem percebemos...
Só queria esclarecer que isto não é uma crítica ao que encontrei nesta revista. É apenas uma observação por meio de comparações entre o clássico e o atual. Eu gostei da história. Confesso que nem me lembrava da clássica, uma vez que Carl Barks fez outras tramas envolvendo neve, gelo e o Patinhas sendo afortunado e esnobe ao redor de pessoas à espera de sua boa ação. Então, "O Trenzinho da Alegria", para mim, é uma HQ como muitas outras de mesmo gênero que foram criadas naquela época. Não tenho motivo algum para considerá-la mais evidente do que "Natal nas Montanhas", por exemplo.
Este novo Almanaque Disney ainda trouxe uma HQ muito bacana com o indiozinho Havita. Eu a li por último e, dados os seus trabalhos anteriores, vi até uma evolução. Lobinho e Lobão também dão as caras, embora a graça das histórias deles, na minha opinião, eram os três porquinhos. Aqui, eles aparecem apenas no fim da trama e de uma forma que passam desapercebidos, como se fosse até um crime ou um favor estarem inserindo eles dentro da HQ. Deve ter algo a ver com licenciamentos, uma questão que vem se tornando uma pedra no sapato das criações hoje em dia.
É sempre bom lembrar que os personagens mais esquecidos da Disney prometem voltar agora. Eu só espero que essa volta seja bacana, com histórias interessantes e não se restringindo apenas a Lobão, Havita e Banzé, porque o elenco Disney é enorme. Temos muitos personagens de contos de fadas que tiveram HQs ótimas. Um bom exemplo é a Branca de Neve e os sete anões. Uma boa HQ com ela é "O Capitão Fracasso", onde ela fica cega e o Donald aparece (no papel de um nobre barão sem noção que vive sua vida meio "sem lenço nem documento") envolvendo-se em um feito heroico. O gato estranho de Alice nos País das Maravilhas e o raposão de Pinóquio também participam. Os sete anões dão um tempero todo especial e promovem o teor humorístico da trama toda, que tem cerca de 59 páginas e foi publicada (no Brasil) no volume 1 da coleção "Clássicos da Literatura Disney".


O Almanaque Disney n° 374 já está sendo divulgado e estará nas bancas, segundo a editora, a partir de 20 de Julho. Segue a capa:

Abraços a todos. Fabiano Caldeira.

Créditos;) Fabiano Caldeira > https://socializandohq.blogspot.com.br/2017/07/hq-pataca-fatal.html
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Arquivos Turma da Mônica N°578 - Chico Bento: HQ "Chico, 7 anos"!

Primeiro de julho, dia do aniversário do Chico Bento. Então, mostro uma história clássica em que o Chico entrou em uma gruta misteriosa no dia do seu aniversário de 7 anos, que marcou o seu crescimento e maturidade. Com 9 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento Nº 2' (Ed. Abril, 1982).
Escrita por Mauricio de Sousa, Chico está indo para uma gruta que está sempre acostumado a ir. Ele costuma ir escondido dos pais por acharem que eles iam achar perigoso entrar sozinho lá. Ele entra através de um buraco bem pequeno e sempre se encanta com a paisagem quando vai lá.
Escrita por Mauricio de Sousa, Chico está indo para uma gruta que está sempre acostumado a ir. Ele costuma ir escondido dos pais por acharem que eles iam achar perigoso entrar sozinho lá. Ele entra através de um buraco bem pequeno e sempre se encanta com a paisagem quando vai lá.

Chico dá a sua volta habitual que está acostumado comentando que os pais iam achar perigoso ele ir sozinho e que o seu pai nem ia conseguir entrar no buraco da boca da gruta. Chico vai ao encontro com seu bisavô Firmino e leva um rolo de fumo para o o seu cachimbo
Então, Chico pergunta onde está o resto do pessoal de casa e e o seu bisavô diz que estão preparando algumas coisas para ele. Chico pergunta por que estão preparando coisas para ele e seu bisavô diz que não esqueceram do seu aniversário que estava completando 7 anos hoje. Nessa hora, aparece sua bisavó com um bolo de fubá, biscoitos e guarapa.

Chico pergunta por que fez tanta coisa e sua bisavó diz que é por causa que hoje ele vai fazer uma viagem. Ele estranha da viagem porque seu pai não avisou nada. Sua bisavó diz que é uma vagem que todos nós fazemos um dia, que às vezes começa e acaba e a gente nem se dá conta. Nhô Firmino pergunta se o bisneto não vai se arreliar com os "coisa-ruim" (saci, bruxa, diabinhos, mula-sem-cabeça, etc). Chico diz que eles estão quietos e vai deixar para lá, hoje só está com vontade de ficar com seus bisavós.

Nhô Firmino faz questão do Chico dar uma última olhada nos seus amigos da gruta. Chico se encontra com anjos, cachorro, Doceira. Ele comenta que vai fazer uma viagem e a Doceira diz que para onde ele for, não esquecer nunca deles. Chico se despede dos seus amigos e no caminho encontra um balanço e vai brincar. Ele nota que o balanço está cada vez mais para baixo, que nem dar para balançar e se pergunta se foi ele quem cresceu.

Enquanto sai da gruta, ele fica comentando no caminho da saída que seu pai ia dar uma surra se o pegasse naquela gruta, que era para estar estudando ou ajudando na roça ao invés de sumir para lá. De repente, passa a dar razão para o pai, falando que está atrasado na escola e que já está encorpado para ajudar na roça sem problema e se não ajudá-lo não vai poder passear na vila nem se encontrar com a Rosinha e o seu sorriso bonito.

Chico encontra a saída da gruta e acha o buraco da boca da gruta muito apertado, mas consegue sair com dificuldade e acha que é porque está comendo muito feijão. Então, ele se lembra que esqueceu de pegar as coisas do seu aniversário com seus bisavós. Ele tenta voltar, mas ele não consegue mais entrar na gruta pelo buraco e começa a chorar. No final, ele sai triste da gruta e no caminho de volta de casa, ele vai listando suas responsabilidades de estudar, ajudar o pai na roça, juntar dinheiro para no futuro se casar com a Rosinha, afinal a partir daquele momento ele não era mais criança.

Uma história filosófica e séria, estilo Mauricio de Sousa, retratando o final da infância, quando a pessoa se dá conta que não é mais criança, sem ligar mais para as brincadeiras e passando a ter responsabilidades. Chico Bento ia nessa gruta desobedecendo aos pais, para encontrar com seus bisavós já mortos e sempre conservava com eles. A partir que completou 7 anos, a magia acaba e ele não consegue mais ter contato.

Fica a dúvida se ele conversava mesmo com seus bisavós mortos ou se tudo era imaginação, assim como seus amigos e "coisas-ruins" que conversava lá, enfim, se aquele lugar existia mesmo ou era fruto da imaginação do Chico. Mauricio gostava de histórias de dúvida se tudo aconteceu de verdade ou não, ficando o leitor a julgar da forma que achar melhor. Podia ter colocado algum personagem mais velho pra retratar esse fim da infância como Franjinha, Titi, Jeremias, mas pelo visto Mauricio preferiu o Chico por se encaixar mais em histórias desse tipo, mesmo que com 7 anos ainda ser criança na vida real.

Os traços ainda não estavam do jeito consagrado dos anos 80, estava em evolução. Nota-se pelo formato das bochechas do Chico formando só uma curva direto dos seus olhos. Eram traços típicos de gibis de 1982 e estavam em evolução até chegar ao estilo consagrado lá em meados de 1984. Muito lindo os cenários da história, É impublicável por mostrar assuntos filosóficos sérios como esse, além de mostrar Chico conversando com bisavós mortos e até mostrando o bisavô fumando cachimbo. Curiosidade de não ter mostrado nome da bisavó do Chico, só do seu bisavô Firmino e que nessa história o Chico fez aniversário em setembro, quando foi que saiu esse gibi. Os personagens não tinham data certa de aniversário na época e em qualquer mês podia ter histórias assim.

Dá para notar um caipirês bem diferente do atual, nos primeiros gibis do Chico o sotaque era bem carregado, predominando o gerúndio "-ano". A gente precisava até ler mais devagar pra poder entender melhor certas palavras. Com o passar dos anos forma mudando, seguindo um estilo mais parecido ao atual a partir de 1985. Lembrando que até 1980, a Turma do Chico falava sem caipirês porque a MSP era proibida de colocar personagens falando caipirês. Quando foi liberado, o período de 1980 a 1985 foi de experiência com o seu caipirês. Nas suas republicações, porém, o texto foram alterados para o caipirês atual, tanto no 'Almanaque do Chico Bento Nº 3' (Ed. Globo, 1988) quanto na 'Coleção Histórica Nº 2' (Ed. Panini, 2007). Enfim, um clássico muito bom que vale a pena relembrar.

Créditos;) Marcos Alves > http://arquivosturmadamonica.blogspot.com.br/2017/07/chico-bento-hq-chico-7-anos.html
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